Tesouro Direto ou CDB: Qual Vale Mais a Pena para Investir em 2026?

Investir em renda fixa continua sendo uma alternativa para quem deseja fazer o dinheiro render sem assumir os mesmos riscos de investimentos mais voláteis, como ações e criptomoedas. Entre as opções disponíveis no mercado brasileiro, duas modalidades se destacam: o Tesouro Direto e o Certificado de Depósito Bancário (CDB).

Mas, afinal, qual vale mais a pena em 2026? O Tesouro Direto, conhecido por oferecer títulos públicos federais, ou o CDB, que permite emprestar dinheiro aos bancos em troca de uma remuneração?

A resposta depende de fatores como rentabilidade, prazo de investimento, liquidez, tributação e segurança. Em determinadas situações, um CDB pode oferecer um retorno líquido superior ao de um título público. Em outras, o Tesouro Direto pode ser mais interessante pela previsibilidade, pela liquidez e pelo menor risco de crédito.

Neste artigo, você vai entender como funcionam essas duas alternativas, quais são suas principais diferenças e o que avaliar antes de escolher onde investir seu dinheiro em 2026.

O que é o Tesouro Direto?

O Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional, desenvolvido em parceria com a B3, que permite a pessoas físicas investir em títulos públicos federais pela internet.

Na prática, ao comprar um título do Tesouro, o investidor empresta dinheiro ao governo federal e recebe uma remuneração conforme as condições estabelecidas para aquele investimento.

Existem diferentes tipos de títulos, com características adequadas a objetivos financeiros distintos. Os principais são:

Tesouro Selic

O Tesouro Selic tem sua rentabilidade vinculada à taxa básica de juros da economia brasileira.

É uma alternativa frequentemente considerada por investidores que desejam manter uma reserva financeira ou investir recursos que podem ser necessários no curto prazo.

Entre suas principais características estão:

  • Rentabilidade vinculada à taxa Selic.

  • Possibilidade de resgate antecipado em dias úteis, conforme as regras operacionais do Tesouro Direto.

  • Baixo risco de crédito em comparação com investimentos emitidos por instituições privadas.

  • Menor sensibilidade às oscilações das taxas de juros em comparação com títulos prefixados e indexados à inflação de prazos mais longos.

Embora seja uma alternativa bastante utilizada para objetivos de curto prazo, é importante lembrar que o preço do título também pode sofrer pequenas oscilações antes do vencimento.

Tesouro Prefixado

No Tesouro Prefixado, a taxa de rentabilidade é definida no momento da compra.

Isso significa que o investidor conhece a taxa contratada e pode estimar quanto receberá no vencimento, desde que mantenha o título até essa data e considere os impostos e eventuais custos.

Esse tipo de investimento pode ser interessante para quem deseja planejar um objetivo financeiro com prazo definido.

Entretanto, existe um ponto importante: se o investidor precisar vender o título antes do vencimento, poderá receber menos do que esperava.

Isso acontece porque o preço dos títulos prefixados varia conforme as condições do mercado e as expectativas para as taxas de juros.

Tesouro IPCA+

O Tesouro IPCA+ combina uma taxa prefixada com a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação brasileira.

Sua proposta é oferecer uma remuneração vinculada à inflação, acrescida de uma taxa real contratada.

Por exemplo, se um título oferece IPCA + 6% ao ano, isso significa que sua remuneração combina a variação do índice de inflação com a taxa real indicada nas condições do papel.

O resultado efetivo depende das regras do título, do período de investimento, da tributação e dos custos aplicáveis.

Essa modalidade pode ser considerada por quem deseja planejar objetivos de longo prazo, como aposentadoria ou formação de patrimônio.

Por outro lado, o Tesouro IPCA+ pode apresentar oscilações expressivas de preço antes do vencimento. Portanto, não é necessariamente adequado para quem pode precisar do dinheiro a qualquer momento.

O que é CDB?

CDB é a sigla para Certificado de Depósito Bancário.

Esse investimento é emitido por bancos e outras instituições financeiras autorizadas, que utilizam os recursos captados para financiar suas atividades.

Ao comprar um CDB, o investidor empresta dinheiro à instituição emissora e recebe uma remuneração conforme as condições contratadas.

A rentabilidade pode ser prefixada, pós-fixada ou híbrida, dependendo do produto oferecido.

CDB prefixado

No CDB prefixado, a taxa de remuneração é definida no momento da aplicação.

Por exemplo, um CDB que oferece 12% ao ano estabelece essa taxa como referência para o período contratado, observadas as condições do investimento.

Essa modalidade pode ser interessante para quem deseja conhecer antecipadamente a taxa bruta contratada.

Entretanto, é necessário avaliar o vencimento e as condições de resgate. Caso o dinheiro fique bloqueado até o final do prazo, o investidor poderá ter dificuldades se precisar dos recursos antes da data prevista.

CDB pós-fixado

O CDB pós-fixado geralmente oferece uma remuneração vinculada ao CDI, indicador que acompanha de perto a evolução dos juros de curto prazo no mercado brasileiro.

Um exemplo bastante comum é o CDB que paga 100% do CDI.

Nesse caso, a rentabilidade acompanha o comportamento do indicador durante o período de investimento.

Também existem produtos que oferecem percentuais superiores a 100% do CDI, embora seja necessário observar o prazo, a liquidez, o risco do emissor e as demais condições da aplicação.

Um CDB que paga 110% do CDI, por exemplo, não significa que o investidor receberá 110% ao ano. Significa que sua remuneração corresponderá a 110% do valor acumulado do CDI no período, conforme as regras do título.

CDB híbrido

O CDB híbrido combina uma taxa prefixada com um indicador econômico, como o IPCA.

Um exemplo seria um investimento que oferece IPCA + 5% ao ano.

Assim como acontece com títulos públicos indexados à inflação, a proposta é combinar a variação dos preços com uma remuneração real contratada.

A disponibilidade desse tipo de CDB depende das ofertas das instituições financeiras.

Tesouro Direto ou CDB: quais são as principais diferenças?

Embora os dois investimentos façam parte da renda fixa, existem diferenças importantes entre eles.

Característica Tesouro Direto CDB
Emissor Governo federal Banco ou instituição financeira emissora
Rentabilidade Pode ser pós-fixada, prefixada ou vinculada à inflação Pode ser pós-fixada, prefixada ou híbrida
Risco de crédito Risco soberano do governo federal Risco de crédito da instituição emissora
Garantia do FGC Não possui cobertura do FGC Pode contar com cobertura do FGC, se elegível
Liquidez Os títulos podem ser vendidos antecipadamente conforme as regras do programa Depende das condições de cada CDB
Tributação Imposto de Renda e, quando aplicável, IOF Imposto de Renda e, quando aplicável, IOF
Custos Pode haver taxa de custódia da B3 e eventuais taxas da instituição financeira Depende das condições do produto e da instituição
Valor mínimo Depende do título e de sua fração mínima negociável Depende da oferta da instituição financeira
Prazo Varia conforme o título escolhido Varia conforme o vencimento contratado

A principal diferença está na origem do risco e nas condições de remuneração.

O Tesouro Direto oferece títulos emitidos pelo governo federal. Já o CDB representa uma obrigação financeira da instituição emissora.

Além disso, enquanto os títulos públicos possuem regras próprias de negociação e recompra pelo Tesouro Nacional, os CDBs podem apresentar diferentes condições de liquidez, inclusive produtos sem possibilidade de resgate antecipado.

Por isso, comparar apenas as taxas anunciadas pode levar a uma decisão equivocada.

Qual rende mais em 2026: Tesouro Direto ou CDB?

Não existe uma resposta única para essa pergunta.

A rentabilidade depende do título escolhido, da taxa contratada, do prazo da aplicação, do comportamento dos indicadores econômicos e dos custos envolvidos.

Em determinadas condições, um CDB pode render mais do que o Tesouro Selic. Em outras, o Tesouro Direto pode apresentar uma relação mais interessante entre retorno, risco e liquidez.

Para fazer uma comparação adequada, é necessário analisar investimentos com características semelhantes.

Exemplo: CDB que paga 100% do CDI ou Tesouro Selic?

Imagine um investidor que está comparando duas alternativas para aplicar seu dinheiro:

  • Um CDB que paga 100% do CDI.

  • Um título do Tesouro Selic.

Como o CDI costuma acompanhar de perto a taxa Selic, os dois investimentos podem apresentar rentabilidades brutas relativamente próximas em determinados períodos.

Entretanto, isso não significa que terão exatamente o mesmo rendimento.

A diferença dependerá de fatores como:

  • Comportamento do CDI e da Selic durante o investimento.

  • Taxa de custódia aplicável ao Tesouro Selic.

  • Eventuais custos cobrados pelas instituições financeiras.

  • Prazo efetivo da aplicação.

  • Tributação incidente sobre os rendimentos.

O Tesouro Selic possui isenção da taxa de custódia da B3 para os primeiros R$ 10 mil em estoque desse título por CPF. Sobre o valor que ultrapassar esse limite, a taxa de custódia aplicável é cobrada conforme as regras vigentes.

Já um CDB pode não ter taxa de custódia, mas isso não significa que todos os produtos ofereçam condições mais vantajosas.

A comparação precisa considerar o resultado líquido, depois dos impostos e dos custos aplicáveis.

E se o CDB pagar 110% do CDI?

Um CDB que oferece 110% do CDI pode apresentar uma rentabilidade bruta superior à de um investimento que acompanha diretamente a Selic.

Isso pode torná-lo interessante para determinados objetivos financeiros.

Porém, é necessário verificar se a remuneração adicional compensa eventuais restrições de liquidez e o risco de crédito da instituição emissora.

Imagine que o CDB tenha vencimento em dois anos e não permita resgate antecipado. Se o investidor precisar do dinheiro seis meses depois, talvez não consiga recuperar os recursos na data desejada.

Nesse cenário, uma taxa mais elevada pode não compensar a falta de flexibilidade.

Também é importante observar que um percentual elevado do CDI não garante que o investimento será sempre mais vantajoso do que o Tesouro Selic. O resultado depende das condições específicas de cada produto.

CDB com taxa prefixada ou Tesouro Prefixado?

Nesse caso, a comparação deve considerar a taxa contratada, o vencimento e as condições de saída antecipada.

Um CDB prefixado pode oferecer uma taxa bruta superior à de um Tesouro Prefixado com prazo semelhante.

Entretanto, a análise não deve se limitar ao percentual anual anunciado.

É necessário considerar:

  • O prazo até o vencimento.

  • A possibilidade de resgate antecipado.

  • O risco de crédito do emissor.

  • A incidência de impostos.

  • Os custos da aplicação.

  • A necessidade de manter o investimento até o vencimento.

Se os dois investimentos tiverem prazos muito diferentes, a comparação direta das taxas também poderá ser enganosa.

Para quem pretende manter o investimento até o vencimento, a taxa contratada é um elemento importante. Para quem pode precisar vender antecipadamente, as condições de liquidez e a possibilidade de oscilações de preço ganham ainda mais relevância.

Como funciona a tributação do Tesouro Direto e do CDB?

Uma das vantagens dessa comparação é que os dois investimentos seguem a mesma tabela regressiva de Imposto de Renda para aplicações de renda fixa tributadas.

As alíquotas incidem sobre os rendimentos, e não sobre o valor total originalmente investido.

A tabela aplicável é a seguinte:

Prazo da aplicação Alíquota de Imposto de Renda
Até 180 dias 22,5%
De 181 a 360 dias 20%
De 361 a 720 dias 17,5%
Acima de 720 dias 15%

Quanto maior o prazo da aplicação, menor será a alíquota de Imposto de Renda, desde que o investimento permaneça aplicado pelo período correspondente.

Além disso, há incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre os rendimentos em resgates realizados antes de completar 30 dias, conforme a tabela regressiva do imposto.

Exemplo de tributação

Imagine que um investimento tenha produzido R$ 1.000 em rendimentos brutos e que o resgate aconteça após 400 dias.

Nesse caso, a alíquota de Imposto de Renda será de 17,5%.

O cálculo será:

  • Rendimento bruto: R$ 1.000.

  • Imposto de Renda: R$ 175.

  • Rendimento líquido após o IR: R$ 825.

O cálculo não considera eventuais taxas ou outros custos que possam incidir sobre o investimento.

Esse exemplo ajuda a demonstrar por que é importante comparar a rentabilidade líquida, e não apenas a taxa bruta apresentada pela instituição financeira.

Se um CDB oferece uma remuneração aparentemente superior à de um título público, o investidor precisa verificar quanto efetivamente receberá depois da tributação e dos custos.

Qual investimento é mais seguro: Tesouro Direto ou CDB?

A segurança é outro fator importante na comparação entre os dois investimentos.

Embora ambos sejam utilizados por investidores que buscam alternativas de renda fixa, eles possuem riscos diferentes.

A segurança do Tesouro Direto

Os títulos do Tesouro Direto são obrigações do governo federal brasileiro.

Por esse motivo, o risco de crédito desses títulos é geralmente considerado inferior ao de investimentos emitidos por instituições financeiras privadas.

Isso não significa que o investimento seja absolutamente livre de riscos.

Os títulos públicos podem sofrer oscilações de preço antes do vencimento, especialmente quando as condições do mercado mudam.

Além disso, existe o risco associado à capacidade de pagamento do próprio governo federal, ainda que esse risco seja analisado de maneira diferente daquele presente em títulos de dívida privada.

É importante destacar que os títulos públicos não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Sua estrutura de segurança está relacionada à obrigação de pagamento do Tesouro Nacional.

A segurança do CDB e a proteção do FGC

O CDB possui risco de crédito associado à instituição financeira emissora.

Isso significa que a capacidade de pagamento do banco é um dos fatores que devem ser considerados antes da aplicação.

Entretanto, determinados CDBs contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, desde que o produto e a instituição atendam às regras aplicáveis.

A garantia ordinária do FGC cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira ou conglomerado financeiro, considerando o conjunto dos créditos elegíveis. Existe também um limite global de R$ 1 milhão em garantias pagas por CPF ou CNPJ a cada período de quatro anos.

Esses limites devem ser observados considerando o saldo total elegível, incluindo principal e rendimentos, e não apenas o valor originalmente aplicado.

Por exemplo, se uma pessoa possui R$ 240 mil em um CDB e o saldo cresce ao longo do tempo, o valor total poderá ultrapassar o limite de cobertura.

A parcela que exceder a garantia aplicável poderá ficar fora da proteção do FGC.

Outro ponto importante é que a existência da garantia não elimina todos os riscos. Em caso de intervenção ou liquidação da instituição, o processo de pagamento da cobertura pode levar tempo e depende das regras e dos procedimentos aplicáveis.

Portanto, ao avaliar um CDB, vale observar tanto a remuneração oferecida quanto a instituição emissora e os limites de cobertura do FGC.

Liquidez: qual permite resgatar o dinheiro com mais facilidade?

A liquidez representa a facilidade de transformar um investimento em dinheiro disponível.

Esse aspecto é especialmente importante para quem deseja manter uma reserva de emergência ou pode precisar dos recursos antes do prazo inicialmente planejado.

Liquidez do Tesouro Direto

O Tesouro Direto oferece liquidez diária, com possibilidade de venda antecipada dos títulos conforme as regras operacionais do programa.

Em condições normais, os resgates solicitados durante o horário de funcionamento do mercado são processados de acordo com os preços disponíveis no momento da transação.

Fora desse horário, em finais de semana ou feriados, as condições de processamento podem ser diferentes.

É importante compreender que liquidez não significa garantia de recebimento exatamente do valor esperado.

O Tesouro Selic tende a apresentar menor sensibilidade às oscilações das taxas de juros do que os títulos prefixados e os indexados à inflação de prazos mais longos.

Já o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+ podem apresentar perdas em uma venda antecipada, dependendo das condições do mercado.

Por isso, mesmo que exista a possibilidade de resgate, é recomendável escolher o título de acordo com o prazo do objetivo financeiro.

Liquidez do CDB

A liquidez dos CDBs depende das condições estabelecidas pela instituição emissora.

Alguns produtos permitem resgate diário, enquanto outros possuem carência ou exigem que o investidor mantenha o dinheiro aplicado até o vencimento.

Também existem diferenças entre a data em que o resgate é solicitado e o momento em que os recursos ficam efetivamente disponíveis na conta.

Antes de investir, verifique:

  • Se o CDB possui liquidez diária.

  • Se existe um período de carência.

  • Se o resgate pode ser solicitado a qualquer momento ou apenas em dias úteis.

  • Qual é o prazo para disponibilização dos recursos.

  • Se existe possibilidade de perda ou restrição em uma saída antecipada.

Um CDB que paga 110% do CDI, mas não permite resgate antecipado, pode ser menos adequado para quem precisa de flexibilidade do que outro produto que oferece uma remuneração menor e liquidez diária.

A melhor escolha depende da finalidade do dinheiro.

Qual é melhor para a reserva de emergência?

A reserva de emergência deve priorizar segurança, liquidez e previsibilidade de acesso aos recursos.

Seu objetivo é permitir que o investidor enfrente situações inesperadas, como despesas médicas, reparos urgentes ou períodos de redução da renda.

Nesse contexto, o Tesouro Selic é uma das alternativas que podem ser consideradas.

Sua rentabilidade está vinculada à taxa básica de juros, e o programa oferece possibilidade de venda antecipada conforme suas regras operacionais.

Entretanto, o investidor precisa considerar os horários de negociação, o processamento dos resgates e a possibilidade de pequenas oscilações no valor do título.

Um CDB com liquidez diária também pode ser uma alternativa interessante, especialmente quando oferece condições competitivas e permite acesso aos recursos no prazo necessário.

Nesse caso, vale verificar se o produto conta com a cobertura do FGC e se a instituição emissora atende aos critérios de segurança definidos pelo investidor.

Uma diferença prática é que a disponibilidade dos recursos pode variar entre os produtos.

Por isso, para uma reserva de emergência, não basta escolher o investimento que oferece a maior taxa. É fundamental garantir que o dinheiro possa ser acessado quando necessário.

Qual vale mais a pena para investir no longo prazo?

Para investimentos de longo prazo, a escolha depende principalmente do objetivo financeiro e do comportamento esperado da inflação e das taxas de juros.

O Tesouro IPCA+ pode ser considerado por quem deseja buscar uma remuneração vinculada à inflação, acrescida de uma taxa real contratada.

Esse tipo de título pode ser útil para objetivos com datas definidas, como aposentadoria ou formação de patrimônio para o futuro.

No entanto, sua volatilidade antes do vencimento precisa ser levada em conta. Quanto maior o prazo do título, maior pode ser a sensibilidade de seu preço às mudanças nas taxas de juros reais do mercado.

Já o CDB pode ser interessante para quem encontra uma taxa competitiva e consegue manter o investimento até o vencimento.

Existem produtos prefixados, pós-fixados e indexados à inflação, permitindo diferentes estratégias de remuneração.

A decisão deve considerar não apenas a rentabilidade potencial, mas também o prazo, a liquidez e o risco de crédito.

O papel da inflação na decisão

A inflação influencia diretamente o poder de compra do dinheiro.

Um investimento pode apresentar rentabilidade nominal positiva e, ainda assim, proporcionar um ganho real pequeno ou até negativo, dependendo da inflação acumulada no período e dos impostos pagos.

Por exemplo, se uma aplicação render 10% em determinado período e a inflação acumulada for de 6%, o ganho real será inferior a 4%, antes de considerar os efeitos da tributação.

O cálculo exato da rentabilidade real exige comparar os fatores de crescimento dos preços e do investimento, em vez de simplesmente subtrair os dois percentuais.

Por isso, em objetivos de longo prazo, avaliar a proteção do poder de compra é tão importante quanto observar a taxa nominal.

Vale a pena investir em Tesouro Direto e CDB ao mesmo tempo?

Sim. Não é necessário escolher exclusivamente uma das duas alternativas.

A diversificação entre diferentes investimentos de renda fixa pode ajudar a distribuir prazos, condições de liquidez e fontes de remuneração.

Por exemplo, um investidor pode utilizar o Tesouro Selic para uma parte dos recursos que deseja manter com alta liquidez e direcionar outra parcela para CDBs com vencimentos compatíveis com seus objetivos.

Também pode avaliar títulos públicos e bancários com remunerações vinculadas a diferentes indicadores, desde que compreenda seus riscos.

Uma estratégia desse tipo pode permitir que o investidor aproveite oportunidades sem concentrar todos os recursos em uma única instituição ou modalidade.

Entretanto, diversificar não significa comprar vários produtos sem critério.

É importante verificar se os investimentos realmente possuem características diferentes e se os prazos estão alinhados às necessidades financeiras.

No caso dos CDBs, também vale acompanhar a exposição total por instituição ou conglomerado financeiro, considerando os limites de cobertura do FGC.

Como escolher entre Tesouro Direto e CDB em 2026?

Antes de investir, vale seguir alguns critérios básicos.

1. Defina o objetivo do investimento

O primeiro passo é entender para que o dinheiro será utilizado.

Uma reserva de emergência exige características diferentes das necessárias para um investimento destinado à aposentadoria.

Para objetivos de curto prazo, a liquidez e a estabilidade do valor disponível costumam ter grande importância.

Para objetivos de longo prazo, pode fazer sentido avaliar títulos com vencimentos maiores e remuneração vinculada à inflação.

2. Compare a rentabilidade líquida

Não escolha um investimento apenas porque apresenta a maior taxa anunciada.

Considere os impostos, os custos aplicáveis e as condições de resgate.

No caso dos CDBs pós-fixados, compare o percentual do CDI oferecido e o prazo de aplicação.

No Tesouro Direto, observe a taxa contratada, o vencimento e os custos de custódia eventualmente aplicáveis.

3. Verifique a liquidez

Se existe a possibilidade de precisar do dinheiro antes do vencimento, priorize produtos cujas condições de resgate sejam compatíveis com essa necessidade.

Não adianta obter uma taxa mais elevada se o investimento não permitir acessar os recursos no momento necessário.

4. Avalie o risco de crédito

No Tesouro Direto, considere o risco soberano do governo federal e a possibilidade de oscilações de preço em uma venda antecipada.

Nos CDBs, analise a instituição emissora, a remuneração oferecida e a eventual cobertura do FGC.

Lembre-se de que a garantia do FGC possui limites e não equivale a uma proteção irrestrita para qualquer valor investido.

5. Confira o prazo de vencimento

O vencimento deve ser compatível com o momento em que você pretende utilizar o dinheiro.

Se o objetivo financeiro tem data definida, procure compreender como o investimento se comportará até aquele momento.

Para títulos públicos vendidos antes do vencimento, considere a possibilidade de oscilações no preço de mercado.

Para CDBs, confira se existe resgate antecipado e quais são as condições aplicáveis.

6. Acompanhe o cenário econômico

As condições econômicas influenciam diretamente as oportunidades de investimento em renda fixa.

A trajetória da Selic afeta a remuneração dos títulos pós-fixados e influencia as taxas negociadas em títulos prefixados e indexados à inflação.

Entretanto, não é necessário tentar prever cada decisão do Banco Central para investir com disciplina.

Em muitos casos, escolher produtos compatíveis com seus objetivos e diversificar os prazos pode ser mais importante do que tentar acertar o melhor momento de entrada.

Afinal, Tesouro Direto ou CDB: qual vale mais a pena em 2026?

O Tesouro Direto e o CDB podem ser boas alternativas para quem deseja investir em renda fixa, mas cada modalidade atende a necessidades diferentes.

O Tesouro Selic pode ser uma opção interessante para quem prioriza liquidez e busca exposição à taxa básica de juros com baixo risco de crédito.

Os títulos prefixados e o Tesouro IPCA+ podem ser considerados para objetivos com prazos definidos, desde que o investidor compreenda os riscos de oscilações de preço antes do vencimento.

Já o CDB pode oferecer condições competitivas de rentabilidade, principalmente quando apresenta uma taxa atrativa em relação ao CDI. Entretanto, é necessário avaliar o risco da instituição emissora, a liquidez e a eventual cobertura do FGC.

Não existe um vencedor absoluto nessa comparação.

Para quem precisa de flexibilidade, a liquidez pode ser mais importante do que uma pequena diferença de rentabilidade. Para quem tem um objetivo de longo prazo, a taxa contratada, o vencimento e a proteção contra a inflação podem ter maior peso.

Em 2026, a melhor decisão continua sendo comparar os investimentos com base em critérios objetivos, considerando o retorno líquido, o risco e o prazo de utilização do dinheiro.

Mais importante do que procurar o investimento que promete render mais é escolher aquele cujas características fazem sentido para seus objetivos financeiros.

Antes de tomar uma decisão, consulte as condições atualizadas dos títulos e das ofertas disponíveis. Taxas, preços e condições comerciais podem mudar ao longo do tempo, e a rentabilidade passada ou anunciada não garante resultados futuros.