No ano em que a Operação Lava Jato completa uma década desde seu início, destinada a investigar irregularidades na Petrobras, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, declarou nesta segunda-feira (22) que os alegados excessos da investigação resultaram em um verdadeiro "apagão" na gestão pública do país.

As declarações de Dantas, que assumiu a presidência do TCU em dezembro de 2022, foram proferidas durante um evento organizado pela Esfera Brasil, um grupo que reúne empresários de diversos setores da economia brasileira, realizado em São Paulo (SP).

Dantas participou do painel de abertura do "Seminário Brasil Hoje: Diálogos para Pensar o País de Agora", onde compartilhou a bancada com os ministros da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

"Quando assumi a presidência do TCU, deparei-me com um cenário altamente complexo. Vivenciamos os anos terríveis da Lava Jato. O TCU havia estabelecido uma jurisprudência da Lava Jato, criada em meio a um momento que não deveria prevalecer nos anos subsequentes", afirmou Dantas.

Segundo o magistrado, a "jurisprudência da Lava Jato" resultou em uma "paralisação das canetas" no país, "onde nenhum gestor público ousava tomar decisões que envolvessem uma margem de discricionariedade significativa, por receio de que alguém interpretasse aquela decisão como uma obtenção de benefícios pessoais". "Isso causou uma paralisação na tomada de decisões", criticou.

"A jurisprudência da Lava Jato infelizmente promoveu no Brasil uma infantilização do gestor público, que passou a necessitar de uma aprovação prévia dos órgãos de controle para tomar decisões importantes", concluiu o presidente do TCU.