Ex-comandantes do Exército e da Aeronáutica envolveram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em conversas com teor golpista, em depoimentos à Polícia Federal (PF). Agora, os investigadores estão discutindo os possíveis crimes pelos quais o ex-chefe do Poder Executivo poderá ser indiciado ao final das apurações, de acordo com duas fontes da PF que possuem conhecimento do assunto, informaram à Reuters.

Segundo as fontes, espera-se que Bolsonaro seja indiciado até junho pela PF em três inquéritos distintos: fraude relacionada ao cartão de vacinas, recebimento de joias do governo saudita e tentativa de golpe de Estado. As penas somadas por esses crimes podem ultrapassar 55 anos de prisão.

O indiciamento pode abrir caminho para que Bolsonaro seja denunciado pelo procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet. Se a acusação for aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o político terá que responder a um processo criminal, podendo resultar em prisão em caso de condenação.

No entanto, de acordo com quatro fontes, que incluem representantes da PF, PGR e STF, não existe um cenário para prender Bolsonaro durante as investigações, a menos que ele tente obstruir o andamento dos processos, o que poderia justificar legalmente uma medida extrema.

A defesa de Bolsonaro não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O ex-presidente e seus advogados já negaram, em entrevistas anteriores, qualquer envolvimento nos casos em questão.

Um dos advogados de Bolsonaro, o ex-ministro Fabio Wajngarten, afirmou nesta terça-feira (5) estar "convicto" de que não há evidências concretas contra o ex-presidente nos depoimentos até então. "Na narrativa, no constrangimento, nos vazamentos, não implicarão um capítulo na história do Brasil", disse o advogado em uma publicação na plataforma X (antigo Twitter).