A regulamentação da reforma tributária e, no fim das contas, quem vai pagar mais ou menos impostos e quem vai se apropriar da maior parte do dinheiro público é o centro da disputa entre Lula e Haddad versus o capital, metaforicamente batizado de "Faria Lima". Essa é a briga que importa. Todo o resto gira em torno dela.

A Faria Lima quer pagar menos impostos e continuar recebendo sua parte em altos juros da dívida pública. A promessa de campanha do Lula é diminuir a desigualdade. Como o bolo é o mesmo pra todo mundo, só tem um jeito de aumentar a fatia de quem mora na periferia: diminuir a fatia da Faria Lima e de quem desfruta de vista pro mar em sua casa na faixa de marinha.

Por isso, a Faria Lima não gosta que o Lula fale que tem excesso de subsídio para rico. São R$ 646 bilhões, entre renúncias tributária e de benefícios financeiros e creditícios. Quem fez a conta foi uma liberal de carteirinha, a ministra Simone Tebet, do Planejamento.