O discurso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o evento de domingo (25), junto aos seus apoiadores na Avenida Paulista, onde fez menção a uma minuta de decreto de Estado de Defesa, trouxe uma nova camada de implicação na investigação em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre uma alegada tentativa de golpe de Estado, conforme relatado por duas fontes de destaque da Polícia Federal (PF) à Reuters nesta segunda-feira (26).

De acordo com essas fontes, as declarações de Bolsonaro corroboram as suspeitas dos investigadores de que houve discussões e preparativos, inclusive com a elaboração de documentos legais, com o intuito de impedir a posse do então presidente eleito e diplomado, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após as eleições de 2022.

Ao se dirigir a milhares de seus apoiadores que se reuniram na Paulista, o ex-presidente rejeitou veementemente a existência de qualquer trama golpista que envolvesse a mobilização de tanques ou armas.

No entanto, ele discorreu sobre a legalidade de uma minuta de decreto de Estado de Defesa. "O que é golpe? É tanque na rua, é arma, é conspiração, é trazer classes empresariais para seu lado".

“Nada disso foi feito no Brasil. Nada disso eu fiz, e continuam me acusando por golpe. Agora, o golpe é porque tem uma minuta de um decreto de Estado de Defesa. Golpe usando a Constituição? Tenham santa paciência. Golpe usando a Constituição.

Deixo claro que Estado de Sítio começa com o presidente da República convocando os Conselhos da República e da Defesa. Isso foi feito? Não”, afirmou o ex-presidente.

“Apesar de não ser golpe o Estado de Sítio, não foi convocado ninguém dos Conselhos da República e da Defesa para se tramar ou para se botar no papel a proposta do decreto do Estado de Sítio”, acrescentou, empregando uma argumentação de natureza legalista.