Pela primeira vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou as descobertas feitas pela Polícia Federal (PF) sobre um suposto plano para matá-lo no final do ano passado, antes de assumir o terceiro mandato como chefe do Executivo no Palácio do Planalto.

Durante a oficialização do Programa de Otimização de Contratos de Concessão Rodoviária, conhecido como “concessões inteligentes”, Lula abordou o tema de maneira leve, marcando sua primeira declaração pública sobre o caso.

“Sou um homem que precisa agradecer ainda mais, porque estou vivo. A tentativa de me envenenar, junto com Alckmin, falhou, e hoje estamos aqui", declarou, arrancando risadas do público presente.

Sem mencionar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), alvo de investigação da PF por suposta ligação com a tentativa de golpe de Estado, Lula reforçou a necessidade de promover a “civilidade” na política.

“Durante as eleições, eu dizia que meu maior desejo era trazer o Brasil de volta à normalidade e à civilidade democrática, para que pudéssemos agir de forma serena e responsável”, pontuou. “Na política, é simples: às vezes se vence, outras vezes se perde, e tudo deve acontecer de maneira civilizada”, acrescentou.

Lula também destacou a importância do momento histórico que o Brasil atravessa, defendendo um ambiente político sem perseguições ou incitação ao ódio.

“Precisamos construir um país sem perseguições, sem fomentar o ódio ou a discórdia”, afirmou. “Não quero envenenar ninguém, nem perseguir quem quer que seja. Apenas quero que, ao final do meu mandato, possamos mostrar a verdade sobre aqueles que governaram antes de nós”, concluiu.

De acordo com as apurações da Polícia Federal, o grupo criminoso pretendia impedir a posse de Lula e tinha elaborado planos para eliminar o presidente, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).