Após um período inicial de relações turbulentas nos primeiros meses de seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os comandantes das Forças Armadas parecem ter alcançado um entendimento mútuo.

Essa é a avaliação de analistas políticos consultados na 54ª edição do Barômetro do Poder, uma pesquisa mensal realizada com consultorias e analistas independentes sobre alguns dos principais temas políticos do Brasil.

De acordo com o levantamento, realizado entre 26 e 28 de março, 57% dos analistas políticos consultados consideram a relação entre Lula e os militares como "boa". Em contrapartida, em janeiro, apenas 9% do mesmo grupo compartilhava dessa opinião. Esse é considerado o melhor momento na atual administração.

Aqueles que consideram a interação como "ruim" diminuíram de 18% para 7% desde o início do ano, enquanto os que a classificam como "regular" caíram pela metade, de 73% para 36%, no mesmo período.

Na escala de 1 (péssima) a 5 (ótima), a média das respostas para a relação entre Lula e os militares ficou em 3,50. Um ano atrás, esse indicador estava em 2,60, tendo chegado a 2,15 no primeiro mês do novo governo, poucos dias após os ataques golpistas de 8 de Janeiro.

A aproximação de integrantes das Forças Armadas com o governo de Jair Bolsonaro (PL) – inclusive com a participação de diversos militares em posições estratégicas do Poder Executivo – acirrou o clima de animosidade dos quartéis com Lula. No entanto, com o passar do tempo, acenos mútuos contribuíram para acalmar os ânimos, conforme percebido por observadores da política nacional.

Um gesto significativo por parte de Lula foi a ordem explícita para que ministros de sua gestão não promovessem nenhum evento em memória aos 60 anos do Golpe Militar de 1964, em 31 de março deste ano.

Por outro lado, declarações de alguns militares, como a do presidente do Superior Tribunal Militar (STM), o tenente-brigadeiro Joseli Camelo, contra a anistia aos condenados pelos crimes do 8 de Janeiro, também contribuíram para esse entendimento mútuo.

Em outro gesto de aproximação, Lula participou, nesta sexta-feira (19), de cerimônia do Dia do Exército, no quartel-general da instituição, em Brasília, marcando sua presença pelo segundo ano consecutivo na solenidade.

Além disso, em uma visita de Estado do presidente francês Emmanuel Macron ao Brasil, Lula defendeu uma maior cooperação e investimentos em defesa, ressaltando a importância da soberania e segurança nacional.